A história da higiene

No primeiro vídeo da série sobre Hábitos Saudáveis falamos um pouco sobre a história dos hábitos de higiene através dos tempos. Você pode conferir o vídeo nesse link: https://youtu.be/CzJagLTrqkY


Em 2020 fomos surpreendidos pelo avanço do novo coronavírus, e todas as redes sociais e veículos de imprensa foram inundados com informações sobre métodos de prevenção e combate à doença. O avanço do vírus pelo mundo ocasionou uma das maiores emergências de saúde pública internacional dos últimos anos, e as autoridades em saúde foram unânimes em três recomendações básicas: distanciamento social, uso de máscaras e a higienização constante das mãos.

Em tempos de pandemia, a higienização constante das mãos, de superfícies e utensílios tornou-se indispensável tanto nas residências quanto nos estabelecimentos comerciais, transporte público e outras áreas de convivência. Mas sabemos que a higiene pessoal, higiene dos ambientes e dos alimentos são responsáveis pela manutenção da saúde independentemente da situação.

A pandemia trouxe à tona a necessidade de falar sobre cuidados de higiene de maneira clara e disseminar informações corretas sobre boas práticas de higiene e limpeza dentro de nossos lares.

Para combater a COVID-19 e prevenir que a doença continue se espalhando é muito importante falar de higiene com os amigos e familiares, e agir de acordo com as orientações dadas pelos cientistas e profissionais da saúde.

Segundo a reportagem publicada em março de 2020 na Revista Radis da Escola Nacional de Saúde Pública, essa é a sexta vez que a Organização Mundial da Saúde decretou emergência de saúde pública internacional. Sabemos que na história da humanidade, outras tantas vezes fomos desafiados por doenças que não sabíamos como tratar, mas pelas experiências que já passamos, uma coisa ficou clara: hábitos saudáveis de higiene são capazes de salvar vidas.

Para entender a relevância da higiene nas nossas vidas, convido você a voltar no tempo…


No século 15 e no início do século 16, a higiene chegou a ser considerada prejudicial à saúde, acredita? Os médicos da época não sabiam como a peste bubônica penetrava no corpo, então eles recomendavam que a população deixasse que se desenvolvesse uma camada grossa de cascão, que eles julgavam ser uma camada protetora que impediria que as pessoas fossem atingidas pela peste.

No século 19, os hospitais eram chamados de “casas de morte”. Eram espaços onde os doentes ficavam amontoados em salas pouco ventiladas e sem acesso a higiene e água limpa. As pessoas que tinham melhores condições financeiras costumavam se tratar em casa, onde as taxas de mortalidade eram de três a cinco vezes menores. Foi nesse contexto que, em 1846, o médico Ignaz Semmelweis fez uma observação que causaria uma revolução no Hospital Geral de Viena e em todo o mundo.

Ignaz Semmelweis

Semmelweis observou que havia um contraste muito grande entre as clínicas sob sua responsabilidade. Numa delas, a taxa de mortalidade era baixa, e na outra, muitas mães morriam. As mortes na clínica utilizada para o ensino de jovens médicos onde, além dos partos, eram realizadas autópsias e cirurgias, chegavam ao triplo da outra, onde era feito o treinamento de enfermeiras-parteiras.

Ele ainda estava longe de imaginar que existissem vírus e bactérias, mas achou que algo dos cadáveres era passado para as mulheres. Deu o nome de “partículas cadavéricas” a esse material que ficava aderido nas mãos dos médicos e contaminava os pacientes. A partir dessas observações, propôs uma experiência: ordenou que todos os médicos lavassem as mãos antes e depois de cada procedimento. Deu certo e as mortes diminuíram muito.

Ignaz Semmelweis fazia com que as pessoas que trabalhavam em hospitais sob sua supervisão seguissem normas de higiene — Pintura de Robert Thom

Apesar dos resultados positivos, a hipótese de Semmelweis foi alvo de muita contestação e resistência pela comunidade científica. Demoraram décadas para que essa noção básica de higiene virasse uma prática nos hospitais e mais ainda para ser um hábito da população. Só no início do século 20 que houve uma substancial melhora.

NO BRASIL

Os primeiros relatos de viajantes mostravam a surpresa dos portugueses com os muitos banhos que os indígenas tomavam ou com seus corpos nus, limpos e sem pelos. Nos relatos posteriores, porém, o que vemos é a descrição de casas imundas, tomadas de um mau cheiro insuportável, cheias de mosquitos e baratas.

Urinar e defecar pelas ruas era uma prática comum, o que tornava os espaços públicos malcheirosos e cheios de ratos, moscas e baratas.
Somente a partir do século 19, com o desenvolvimento da ciência e a conscientização sobre a importância da higiene, é que os hábitos começaram a ser mudados, o que foi impulsionado também pela propagação da água encanada e do esgoto, embora, até hoje, ainda tenhamos muitas localidades do mundo que não dispõem de saneamento básico.


Com a popularização do sabonete e do sabão, os cuidados com o banho e com a higiene íntima se tornaram mais comuns e os hábitos de limpeza foram ganhando espaço. No entanto, o cuidado com a higiene, o uso de produtos de limpeza, a criação cada vez maior de cosméticos e cuidados estéticos, são práticas recentes e que tiveram sua popularização apenas no século 20, ganhando forte impulso através da publicidade.

Ou seja, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, o avanço dos hábitos saudáveis de higiene foram motivados principalmente pelo interesse financeiro e não propriamente por preocupação com a saúde. Os norte-americanos foram os pioneiros na promoção da limpeza corporal e investiram pesado na propaganda e na indústria de produtos de higiene pessoal.

Atualmente, o brasileiro consome, em média, um sabonete por mês. Esse baixo consumo está associado ao fato de que costumamos tomar banho com frequência, mas lavamos pouco as mãos.
Com a chegada da pandemia da COVID-19, voltamos nossa atenção para esse produto que já faz parte das nossas vidas e que foi apontado pelos especialistas em saúde como o principal agente de combate ao vírus: o sabão!

No próximo vídeo, vamos conversar sobre as razões que tornam a lavagem das mãos com sabão a medida mais indicada para combater o coronavírus, e desvendar o modo de ação desse produto. Além disso, vamos revisar as principais práticas de higiene pessoal, dos ambientes e dos alimentos, de maneira simples e descomplicada, para você entender tudo direitinho e poder compartilhar essas informações com os amigos e familiares!


As referências estão disponíveis na


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